domingo, 7 de setembro de 2008

A beleza do inusitado ainda me assusta tal como um fantasma que mora comigo e muda de roupa
para tentar me surpreender. Quer seja pelo fato de que a tempos eu não sorria, e talvez não
chorasse mais também, ou pelo fato de tudo ao me redor me causar um incômodo constante,
e a minha náusea por saber que esse incômodo é completamente desnecessário, não fútil, mas
dispensável, e mesmo assim não conseguir me desvencilhar, nem se auto-medicando com a ilusão de
felicidade mais que merecida.
Talvez o vício do pessimismo ainda tenha me deixado sequelas, talvez seja algo patológico,
talvez a minha busca da perfeição ou ao menos de algo positivo me fez esquecer que dentro
de tudo existe um problema, mas quem nem sempre esse deve ser levado em consideração. Se ligassemos
para os coliformes fecais e as bactérias, um X-burger na rua com a pressão arterial em queda
depois de uma noite consumindo coisas com teor alcóolico maior que 11% não seria tão bom.
Acho que é comodismo. Comodismo com a tristeza, comodismo com a mania de ser sempre a origem,
o contexto e a principal antagonista para o desenlace de algo. Não é regra mas a obra é
responsabilidade do autor, por mais que o que o tenha inspirado sejam consequências externas.
Mas acho que não é questão de metáfora ou de me esconder atraz do romantismo da melancolia ou da
falsa ilusão de solidão. Mal se consegue fazer algo sozinho hoje em dia, pra que reclamar de ser ou
estar sozinho quando isso é praticamente impossível? O que se tem é a inveja de estar
como não desejava estar, a inveja de não ter o que se queria pra si, ou perder o que um dia esteve
ao alcançe das mãos e que foi perdido, arrancado, proibido ou simplesmente
nunca foi ou devia ter sido seu.
Ralvez a inveja de algo que mal saiba o que é, e que insisto em renomear de outras formas seja a
causa do meu pavor pelo que não me foi prometido, por essa coisa maravilhosa chamada "repentina".
É a inveja por saber que por mais que o que me foi concedido por mérito não ser aquilo que eu
quis outrora, é o que seria ideal no momento, no futuro ou pra sempre, e simplesmente empurrar
como se fosse mais uma bebida enjoativa que o destino me deu de brinde
enquanto eu estava com sede, esperando um copo d'agua igual o da mesa do vizinho.
Tudo bem, diga-se de passagem eu sou só confusão.

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