sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

† Text 1/2009


Só quero uma chuva densa que me queime enquanto deito-me no asfalto.
Sentir aquele cheiro de poeira molhada e poluição que emana das árvores.
Minha mente pede o descanso dos vagabundos, meu corpo grita por um sinal de vida, uma gota de sangue perdida em um corte em vão.
Não sei mais a diferença entre a fumaça do cigarro e minha respiração eufórica convertida em ar quente e desesperado, nem a diferença entre o álcool e o torpor em que meu espirito se encontra, confundindo meu caminhar, confundindo minhas palavras, distraidas e sem pretenção.
Uma confissão de culpa, um pedido de perdão, um grito de socorro, todos no mesmo riso paranóico, com a face tremula enquanto contém as lagrimas que insistem em me distrair.
Me perco em devaneios, planos...
Parece tão real, sinto até o vento cortando meu medo em pedaços tão sutis que voam sem nenhum esforço decorando minha noite. Sinto também o espaço que me cerca desaparecendo, é só um caminho, é só uma descida rápida e tudo acaba. E derrepente sinto me segura o suficiente para me inclinar, jogar todo meu peso nos braços frágeis da minha loucura, ansiosa, me esperando a tanto tempo.
Sinto um baque, sinto o tecido molhado de meus travesseiros, sinto que ainda estou aqui, imóvel, com o coração explodindo de raiva.
Foi tudo tão real que meus sapatos sujos de lama me confundem. Minha roupa molhada e meus braços com as marcas das mãos que me interditaram não conseguem explicar o que aconteceu.
Minha existência confusa, sem saber se ainda está ali, olhando o teto e tentando entender o que houve, ou não.

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