quinta-feira, 16 de abril de 2009

† Text 03/09



A mulher e a poetisa


Sou aquela que fala demais. Que na monotomia cotidiana se distrai com os próprios sorrisos histéricos, piadas perdidas num contexto banal, gracejos cheios de uma sinceridade quase infantil. Aquela que demonstra afeto ao criticar, ao julgar e a analisar todos os defeitos com o mais puro ceticismo. Sou aquela que não tem receio de perder nada na vida, apenas de ser esquecida por ela. Sou frígida, insensível, tenho planos constantes e seguros. Sou eloquente, introvertida e diplomata. A humanidade me interessa. Sou militante, ousada, mal-humorada e hiperativa. Sou auto-suficiente. Mentir é minha única distração e o dinheiro meu único consolo.


Sou aquela que escreve e que grita numa caligrafia distorcida o que a voz teme. Aquela que destila todo sua amargura em uma frase, todo seu amor em duas ou três palavras, todo seu ódio em uma. Sou aquela que em estrofes não consegue desprezar nada nem ninguém, apenas a si mesma. Sou depravada, densa e decadente. Não sei nada sobre o amanhã por não o desejar, não planejo por não saber mais o que almejo. Sou extrovertida, apática e egoísta. Não me preocupa nenhum outro indivíduo. Sou inerte, covarde e vegetativa. Sou extremamente dependente. Não engano ninguém, tudo que foge em minha triste escrita é a mais ingênua verdade, e nela meu abrigo são os braços de qualquer um.

1 Reações adversas:

  1. Olá poetisa!
    Verdade seja dita...
    sabes bem o que és e o que não és... não sei se este texto é outobiográfico, mas...
    sendo ou não, analisando pela poética ou por qualquer outro modismo, está bem feito, bem moldado...
    não pretendo falar sobre analogias e subjetividades e etc, pretendo sim deixar claro minha admiração, gosto de quem não esconde certas coisas e gostei muito de poder ler vc hoje, espero que continue aspergindo este teu talento!

    D.M

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