terça-feira, 26 de maio de 2009

† Poem 08/2009


Felicidade


Preciso dum sono tranquilo que faça desabrochar nos braços de alguém todo o ódio que nunca quis sentir.
Preciso respirar o ar torpe que me conforta em pesadelos.
Para quê vento? Para que chão?
Porque a cada grito, a cada sorriso paranóico, recordo-me de quando nunca fui feliz.
E a cada lagrima, lembro-me de quando nunca fui triste.
Para quê memórias?

Ter um rumo, um lugar, algemada por um atalho de princípios.
Minha cultura, meu martírio.
Para quê ser criativo se tenho quem me guiar?
Perder-me numa agonia sem fim de sucesso e felicidade, e arder num inferno de estabilidade e paz.
Para quê correr riscos, a vida pode ser planejada, não?

Quero um buraco cheio de bem estar e alegria.
Para que não lembre como é horrível caminhar.
Para quê, se tenho lâmpadas e ventiladores?
Não me recordar como é aborrecível pensar com razão, e nem como é desagradável ter sonhos.
Para quê se tenho televisão?

Um espasmo apodrecido de saúde.
Um soco repentino de lucidez.
Não quero mais bebida, nem cigarros, nem doces, nem gordura.
Para quê, se tenho remédios?
Cada dia um passo para o precipício das minhas metas.
Cada segundo um sedativo para meus desejos.
Minha alucinante decadência, meu triunfo em ser um exemplo.

11 Reações adversas:

  1. "Eu não posso causar mal nenhum, a não ser a mim mesmo, a não ser a mim..."

    Cazuza

    Você sempre tem o poder de me assustar, por bem ou mal, é um susto que me agrada, diz tudo o que eu queria dizer mas ainda não pensei, nossa que bobo, coisa boba pra dizer... rsrs

    Cara, esse teu talento não tem remédio que cure!!

    até!

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  2. a realidade de teus textos são algo ao mesmo tempo confessionais, racionais, passionais... angústia, indiferença... nossa.

    um mergulho num mundo de evasão!


    Blog Suicide Virgin

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  3. Nossa *--*
    muito bom ..
    acho que sem palavras...
    apenas dizer...
    que texto lindo menina ^.^

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  4. estou aqui por livre e espontanea pressão, Juro que é de coração oq vou dizer agora...
    !arienixaf oãçaroc ed oma et

    Bjos e se cuida!!! se não conto tudo pra minha irmã....

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  5. Não sabia que tu escrevia poemas...
    Eu poderia dizer: Nossa! Perfeito! Sem palavras...; mas poderia soar falso ou simplesmente cordial.
    Por isso não vou te elogiar, pois sei que, como escritor que também sou; isso não importa.
    Só deixo este comentária vazio, para alguém que sei e sinto, que é cheia, de mistérios, razões, sentimentos, ilusões, visões e algo mais...
    Que é cura ao apresentar as doenças,
    E é verdadeira, ao mostrar como somos; puras ilusões em busca de realidades utópicas.
    tá...eu sou uma contradição ambulante, por isso: parábens e obrigado por me convidar a partilhar de resquisio de sua alma, que são seus poemas.
    abraços...
    Will

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  6. AHHH... Não liga pros erros de digitação.
    Sou muito analogico.
    Will

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  7. Nossa, muitíssimo obrigada pela ilustre visita a meu blog querida!

    Amei essa evasão de si poeticamente falando... gostei da imagem capa do blog também... interessante... e o tom, a cor... deu ao blog um ar que arriscando eu, é todo teu, sim?

    Ainda não a conheço, mas gostei de ti.
    Palavras nos relevam muito maisa do que respostas a perguntas como 'quem é você?', não é mesmo?

    Acompanharei-te...
    Obrigada pelas palavras que me causaram grandes reflexões.

    Poetíssima
    www.soirild.blogspot.com

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  8. Preciso registrar aqui que amei o post ' a mulher e a poetisa'... perfeito.

    Somos assim.

    Parabéns!

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  9. Percebo, exultante, o desabrochar da sua poética. :)

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  10. Cara, gostei muito desse texto aqui.
    Você se expressa muito bem, moça, Gosto da sua forma de escrever.

    Bjssssss

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