
Ultimamente foram divulgadas várias notícias relacionadas ao casamento homossexual promovido por igrejas protestantes como a Igreja da Comunidade Metropolitana e a EFE, sem nenhum aprofundamento sobre a real importância dessas medidas, que são impostas implicitamente pelo senso de moral imposto pela sociedade e pela religião.
É uma visão romântica os homossexuais obterem o direito de realizar uma cerimônia sob o prisma tradicional do cristianismo. Porém, não são levadas em conta as origens dessa mesma crença e se ela realmente permitiria tal união. Assim como a religião católica, a religião protestante, ou evangélica, baseia-se nos mesmos princípios cristãos expostos na bíblia. Tais princípios abominam a relação entre dois homens ou duas mulheres, relatando-a como incompleta e mal vista aos olhos de Deus. Como seria possível então o casamento gay sobre esses mesmos princípios, e consequentemente, abençoadas pelo mesmo Deus? Não seria contraditório demais?
Não é novidade que o público GLBT carece de religiões onde são aceitos e livres de penalidades morais e religiosas. Talvez as afro-brasileiras, como a umbanda, estejam dentre as poucas que permitem a união e a convivência desses grupos na sociedade religiosa, apesar de que com o passar dos anos, incorporaram alguns princípios do cristianismo, mas sendo muito mais antiga a sua origem do que o mesmo.
Uma igreja bem poderia aceitar, mesmo que de forma hipócrita, o publico GLBT em seus cultos, realizar casamentos, pelo simples fato de que eles gerariam um grande rendimento financeiro, e seriam fiéis em longo prazo à instituição religiosa.
Mesmo que as intenções dessas instituições religiosas fossem as melhores possíveis, ainda sim seriam mal colocadas, sendo que a própria doutrina que se baseiam condena o comportamento homossexual. Como seria possível então celebrar uniões válidas sob o aspecto religioso, e não apenas pela beleza teatral do ritual, sem negar os fundamentos em que a própria celebração se baseia? Difícil não?
A questão é se realmente devem ser levados em conta esses ritos, e se o ato de casar em uma cerimônia religiosa tenha sido banalizado a ponto de que obrigatoriamente deve ser realizado, não importa sob quais circunstancias, para merecer respeito e reconhecimento da sociedade. Imparcialmente às crenças de cristãos, evangélicos ou não, antes de realizar uma cerimônia religiosa respeitada, é necessário respeitar o próprio senso de união entre o casal, homossexual ou não.
Quantos casamentos heterossexuais, tão invejados, construídos sob as bênçãos da fé e sob a beleza dos ritos religiosos, são destruídos por traições, brigas, incompreensão, egoísmo, dentre muitos outros problemas comuns e não exclusivos duma relação entre homem e mulher?
Antes da beleza da cerimônia, da magia da fé cristã ou de outro fundamento religioso, é necessário ver a verdadeira motivação do ato de casar, de estar junto com alguém por um período indeterminado, que pelo menos é o que se espera, e de construir uma vida estável a dois, com filhos talvez. E ainda mais importante, evidenciar o casamento civil, pois este abrange procedimentos legais e direitos civis que há muito tempo deveriam ser garantidos pela constituição a um casal independente da sexualidade, mas não são. Rever os princípios individuais é fundamental nessa sociedade dissimulada e hipócrita atual, já que antes de serem participantes de um grupo religioso, todos são cidadãos com vontades e crenças próprias, mas imersos numa moral em massa que os impedem de ver suas verdadeiras prioridades.







estava com saudade de seus posts polemicos e realistas. adoro seu modo de defender sua opiniao.
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