
Após tanto tempo, os dias pararam, os meses não esbarram em mim na sua marcha frenética para lugar algum. O relógio volta a um passado recém ocorrido em um segundo. A vida virou estoque para mais tarde.
Por isso, talvez a poetiza tenha voltado. Pois sei que por alguns ilusórios anos vivi, e não senti vontade de expressar coisa alguma. Posso chamar isso de ‘férias’.
E o que dizer? Se cada dia simplesmente domina a mente num torpor irritante, que não deixa atender a mais nada. Se os mil sons misturados em minha mente não me deixam pensar, não me deixam adormecer, quem dirá fingir-me de morta novamente. Me obrigo a fazer planos, para que neles continue a planejar, e assim reconhecer-me como ser humano ativo.
Senti falta de ver minhas fantasias vadiando por aí, felizes, sem pretensão nenhuma de se realizarem. Quando meus medos nada mais eram que conhecidos de bar. Via a rotina distante, nos olhos daqueles que me cercam, na sujeira em que pisava, pensando sequer estar ali.
Sinto-me melhor agora, em que sol, noite, neblina e luz artificial se fundiram na mais completa escuridão onde finalmente vejo, além do enxergar. Saudosos dias onde não mais sentia e sim observava. Onde não mais vivia e sim ansiava. Meu mundo é meu novamente.
E desejei viver, através do cadáver que se apelida poeta, do zero. Para que talvez, num terceiro dia daqui a alguns anos, mostre que da terra morta os vermes ainda trazem a vida, as flores, e todo resto que quem vê de cima não sabe donde vem. Apenas os poetas mortos sabem.







saudades de seus textos. que bom que estás de volta. eu tambem voltei em novo endereço. acaso queira parceria aqui está o link:
ResponderExcluirhttp://terza-rima.blogspot.com/
achei intenso seu texto e a analogia do eu em forma de cadáver impactante. a vida cansa, fadiga e descora alguns desejos ao viver. como apodrecer...
Devias voltar mesmo, você escreve muito bem para deixar de mostrar o que faz!!
ResponderExcluirMagníficos!
ResponderExcluirNão deixe de mostrar o que faz..